Negócio de criador21 min de leitura
Empresa de uma pessoa: o que os criadores solo vendem de verdade


Li 40 ofertas de 28 criadores e marcas, do material grátis à mentoria de cinco dígitos. O que cada degrau entrega, quanto custava no dia em que olhei, e um exercício para você desenhar a sua escada de oferta.
- O problema
- Você quer vender o que sabe e não sabe se começa por ebook, curso ou mentoria, nem quanto cobrar por cada um.
- Para aplicar
- Desenhe a sua escada em quatro degraus (grátis, kit, sistema, premium), com uma dor, uma entrega e um próximo passo em cada. Depois lance só o primeiro degrau que ainda não existe.
Na manhã de 14 de outubro de 2026 eu abri quarenta páginas de venda, uma por uma.
Não era curiosidade. Eu precisava decidir o que vender além do serviço da agência, e percebi que estava prestes a fazer o que sempre critico em cliente: escolher pelo gosto. Eu gostava da ideia de um curso grande. Gostava da ideia de uma mentoria. Não tinha olhado com calma o que as pessoas que vivem disso estão vendendo, por quanto, e em que ordem.
Então montei uma tabela. Quarenta ofertas, 28 criadores, autores ou marcas, doze do Brasil e 28 de fora. Para cada uma anotei o preço que aparecia na página, o jeito de cobrar, o que a pessoa recebe e a ressalva de cada preço. Este estudo é a leitura dessa tabela.
Ele não é uma pesquisa de mercado. É uma amostra escolhida a dedo, de gente que eu já acompanhava ou que alguém me indicou, e qualquer pessoa que tente tirar média disso vai errar. O que ela mostra bem é forma: como as ofertas se organizam, o que cada degrau entrega e por que o preço sobe de um para o outro.
E a forma que apareceu foi uma escada.
Antes dos números: como ler esta tabela sem se enganar
Todos os preços deste estudo foram observados em 14/10/2026, na página oficial linkada ao lado de cada um, na moeda original. Preço de produto digital muda toda semana. Se você abrir o link hoje e o número for outro, a página está certa e o estudo está velho.
Três ressalvas que valem para o texto inteiro:
- Mais da metade dos preços tinha asterisco. Das 40 ofertas, só 16 mostravam um preço público e direto, e duas eram grátis. As outras 22 tinham alguma condição: promoção de lançamento, preço diferente entre a página de venda e o catálogo, checkout que não abriu, produto esgotado, evento que já passou ou preço que não estava na página.
- Preço não é faturamento. Em pelo menos uma página o número grande da copy era quanto o aluno poderia cobrar dos clientes dele, não o preço do ingresso. Em outra, o número de faturamento do autor aparecia no topo e o preço do curso não aparecia em lugar nenhum. Separei os dois sempre.
- Comparar preço sem comparar escopo é inútil. Uma mentoria de seis meses com encontros quinzenais e um programa anual em comunidade são coisas diferentes mesmo quando custam parecido. Onde o escopo não estava claro, eu escrevi que não estava.
A tabela inteira, separada por tipo:
| Tipo de oferta | Quantas | O que geralmente entrega |
|---|---|---|
| Grátis / captação | 2 | Curadoria ou análise recorrente em troca do e-mail |
| Kit (low ticket) | 13 | Uma biblioteca, um modelo, um pacote de prompts ou uma aula curta |
| Sistema (curso ou método) | 16 | Um processo para repetir, com demonstração e modelos |
| Premium (mentoria ou programa) | 6 | Acompanhamento, comunidade selecionada, revisão do trabalho |
| Ferramenta (recorrência) | 3 | Software com limite de uso por mês ou crédito |
Se a pergunta que te trouxe aqui é "qual desses eu deveria vender?", a resposta curta é: provavelmente os quatro primeiros, um de cada vez, nessa ordem. A resposta longa é o resto do texto.
A escada em uma imagem
Quando eu coloquei as ofertas em ordem de preço e de profundidade, elas caíram em quatro degraus. Cada degrau resolve um tipo diferente de problema e cobra por uma coisa diferente.
┌───────────────┐
│ 4. PREMIUM │
│ aplicação no │
│ seu negócio │
┌───────┴───────┬───────┘
│ 3. SISTEMA │
│ um jeito de │
│ repetir │
┌───────┴───────┬───────┘
│ 2. KIT │
│ uma dor, uma │
│ entrega hoje │
┌───────┴───────┬───────┘
│ 1. GRÁTIS │
│ amostra do │
│ método │
└───────────────┘
O que muda de um degrau para o outro não é a quantidade de conteúdo. É o que o comprador leva para casa:
| Degrau | O comprador leva | Ele paga por | Faixa observada em 14/10/2026 |
|---|---|---|---|
| 1. Grátis | Uma amostra do seu jeito de pensar | O e-mail | Grátis |
| 2. Kit | Uma coisa que ele usa hoje | Tempo economizado | US$7 a US$79; R$37 a R$97 no Brasil |
| 3. Sistema | Um modo de trabalhar que ele repete | Não precisar inventar o processo | US$79 a US$995; R$297 a R$397 no Brasil |
| 4. Premium | Decisão e revisão no negócio dele | Seleção, tempo seu e responsabilidade | R$5.000 por seis meses; US$2.000 por ano; US$9.800 |
As faixas resumem só os exemplos desta amostra. Elas não são "o preço de mercado" de nada.
Vamos degrau por degrau.
Degrau 1. Grátis: uma amostra do método, não um aperitivo
Só duas das quarenta ofertas eram grátis, e eu escolhi as duas de propósito, porque elas fazem uma coisa que a maioria dos materiais grátis não faz.
A primeira é o Founder Reads, do Dave Brown. É uma curadoria de leituras com notas e exercícios, liberada por cadastro de e-mail. Repare no "com exercícios". Ela não entrega uma lista de livros. Entrega a lista, o que tirar de cada um e o que fazer depois.
A segunda é a newsletter do Creator Hooks, do Jake Thomas: análises periódicas de títulos e miniaturas de vídeo. A análise grátis é feita com o mesmo método que sustenta a parte paga, que é um aplicativo de pesquisa de títulos.
O padrão das duas é o mesmo, e é o que eu levaria daqui:
O material grátis bom é o seu método aplicado a um caso. Ele dá resultado sozinho, e quem usa entende que existe um jeito de trabalhar por trás.
O material grátis ruim é o aperitivo: três dicas soltas, um "no curso eu mostro o resto", uma promessa sem entrega. Ele até capta e-mail. Só que a pessoa chega no degrau 2 sem saber por que deveria confiar em você.
O que o degrau 1 precisa ter
- Uma entrega que funciona sem compra nenhuma depois. Se a pessoa nunca comprar nada, ela ainda saiu com algo útil.
- O seu critério à vista. Não só o quê, mas por quê. É o critério que vende o próximo degrau.
- Um próximo passo nomeado. Discreto, no fim, apontando para uma oferta específica.
Este texto que você está lendo é um degrau 1. Fica aberto, não pede nada, e no fim aponta para uma versão em PDF.
Degrau 2. Kit: uma dor, uma entrega, hoje
O degrau mais cheio da amostra: treze ofertas. É também o que mais aparece quando alguém diz "quero começar a vender alguma coisa".
O kit resolve uma dor só e entrega uma coisa que a pessoa usa no mesmo dia. Abrir o arquivo, achar o gancho, montar o roteiro, organizar a pauta. Ninguém compra kit para "aprender sobre". Compra para fazer.
Os formatos que apareceram:
Biblioteca. Uma coleção grande e navegável. O exemplo mais claro é o The Book of Hooks, uma biblioteca pesquisável com mais de 2.300 ganchos, por US$24 com acesso vitalício. O Hook Vault, com 200 ganchos, aparecia por US$27 em preço promocional anunciado frente a US$47. O Viral Hooks Vault, do Paul Londoño Del Castillo, custava US$15 no checkout, com complementos de CTAs e roteiros por US$8 cada.
Modelo. Um arquivo pronto para preencher. O YouTube OS, do Ali Abdaal, é um sistema de organização da produção de vídeo por US$27. No The Futur, o Grids and Layout, do Viktor Baltus, estava por US$59, e o Style Guide Kit, do Ben Burns, por US$79.
Pacote de prompts ou de skills. O AI Prompt Pack, com 150 prompts para conteúdo, aparecia por US$37 frente a uma referência de US$57. No Brasil, o mac.IA, do Renato Asse, reúne skills de copy e design, execução em IDE e um humanizador de texto, por R$97, com a página indicando assinatura anual.
Aula curta. O Carrossel IA, do Fernando Barra, é um treinamento de uma hora e meia sobre carrosséis com IA. O preço de R$47 apareceu no conteúdo indexado da página oficial; o checkout eu não consegui confirmar.
Upgrade de funil. O Feed Minimalista, da Carol Cantanhêde, apareceu como oferta de upgrade de R$37 com acesso por dois anos, numa página específica de funil que menciona também uma opção básica de R$27. O preço regular não aparece ali; aquela é a oferta mostrada para quem já está dentro.
O que o kit ensina
Três coisas se repetiram no degrau 2 e valem para qualquer pessoa que vá montar o seu:
O título diz a entrega. "Hook Vault", "Prompt Pack", "Style Guide Kit". Você sabe o que tem dentro antes de abrir. Kit com título poético perde o único argumento que tem, que é a clareza.
O preço é baixo porque a dor é estreita. Ninguém aqui prometeu mudar a vida de ninguém. Prometeu poupar a tarde de quarta. É uma promessa menor e muito mais fácil de cumprir.
O kit vive de vizinhos. Complemento no checkout, pacote com outro produto, upgrade para quem acabou de comprar. Repare quantos kits apareceram junto de outro kit. Um kit sozinho raramente paga a conta; ele é a porta de uma prateleira.
Uma pergunta para você responder antes de seguir: qual é a tarefa que o seu público faz toda semana, com raiva, e que você faz em metade do tempo? Isso é um kit.
Degrau 3. Sistema: um jeito de repetir a entrega
Dezesseis ofertas, o degrau com mais variedade de preço. Aqui o comprador não quer mais um arquivo. Quer sair com um modo de trabalhar que ele consegue repetir sem você.
Repare na palavra que aparece em vários nomes: "Operating System". Sistema operacional. É o nome que diz o que está à venda.
Os exemplos internacionais:
- The Content Operating System, do Justin Welsh: um curso de mais ou menos noventa minutos sobre escrever uma newsletter e reaproveitar o texto em posts. A landing mostrava US$79 em promoção, enquanto o catálogo mantinha US$200. Sem suporte individual.
- The LinkedIn Operating System, do mesmo autor: método de perfil, publicação e relacionamento no LinkedIn, US$200 no catálogo oficial. Checkout não confirmado.
- The 2 Hour Writer, do Dan Koe: curso e recursos para um sistema de escrita com IA, US$150, incluindo 250 créditos de IA. Créditos têm limite; não é IA ilimitada.
- Carousel Design, do Chris Do no The Futur: processo para criar carrosséis de autoridade, US$199.
- No topo do degrau, a Part-Time YouTuber Academy, do Ali Abdaal, a US$995 com acesso vitalício anunciado, e o Positioning & Lead Generation, do The Futur, a US$699.
Os exemplos brasileiros ficaram numa faixa bem mais estreita:
- Fórmula Viral, do Hyeser: Reels Lab, modelos, gravação e edição, com um ano de acesso. R$297 à vista, anunciado como lançamento frente a um preço anterior de R$597.
- A Revolução do Conteúdo, do mesmo autor: conteúdo para Instagram e uso de ChatGPT, R$397, também com um ano de acesso.
- Reels Pro, do Rafael Bem: mais de quarenta aulas de produção e edição de Reels, R$297, com suporte e comunidade por um ano, frente a um preço anterior anunciado de R$997.
Duração não é preço
A coisa que mais me surpreendeu neste degrau: o curso de noventa minutos e o programa de dezenas de aulas convivem na mesma faixa. O Content OS cabe numa tarde e custava, na landing, mais do que vários cursos longos.
Por quê? Porque o comprador do degrau 3 não paga por hora de vídeo. Paga por não ter que inventar o processo. Se o sistema é bom, quanto mais curto, melhor: ele começa a usar antes.
Isso tem uma consequência prática para quem vai montar o próprio sistema. A tentação é gravar trinta aulas para "justificar o preço". O que justifica o preço é a pessoa conseguir repetir a entrega na semana seguinte. Trinta aulas que ninguém termina valem menos que uma tarde que todo mundo termina.
O que o sistema precisa ter
Lendo as dezesseis páginas, o que separa um sistema de uma coleção de aulas:
- Uma entrega final nomeada. "Uma newsletter por semana e os posts que saem dela." "Um carrossel de autoridade." O comprador sabe o que vai produzir quando terminar.
- Demonstração. O autor fazendo, não só explicando. Em quase todas as páginas fortes aparece o autor usando o próprio processo.
- Os modelos junto. Método sem modelo vira teoria; modelo sem método vira kit. O sistema é os dois.
- Um limite declarado. "Sem suporte individual", "créditos limitados", "um ano de acesso". As melhores páginas dizem o que o produto não faz. Isso aumenta a confiança no que ele faz.
Degrau 4. Premium: aplicação no seu negócio
Seis ofertas, e é aqui que o preço muda de casa decimal.
O que o comprador compra no degrau 4 não é informação. A informação ele já tem, ou poderia ter, nos degraus de baixo. Ele compra alguém olhando para o caso dele: diagnóstico, decisão e revisão.
Os exemplos:
- Conexão Estratégica, da Cassi Souza: seis meses, encontros quinzenais de até duas horas, estratégia personalizada. R$5.000 à vista, ou seis cobranças de R$967 (total de R$5.802).
- The Lab, do Jay Clouse no Creator Science: comunidade, office hours, sessões de hot seat, cursos e um painel próprio. US$2.000 por ano, com lista de espera e uma exigência de entrada: US$100 mil por ano em receita que não venha de serviços. Não é mentoria individual.
- Founder OS, do Matt Gray: comunidade, sistemas, ferramentas e sessões de implementação. A página mostrava US$9.800, sem dizer a periodicidade. Não dá para inferir se é anual nem quanto dura o acompanhamento.
- The 1K Challenge, do Ali Abdaal: três níveis de programa, de US$995 a US$4.995. A página mostra a faixa, mas não detalha o que muda de um nível para o outro.
- Mentoria Agência Massa, da Abehba: programa de cinco meses em grupo para operação de agência, com posicionamento, pessoas, processos, preço, prospecção e previsibilidade. Preço não divulgado; entra por aplicação.
- Pro Group, do The Futur: comunidade e orientação para negócios criativos. Preço não localizado no conteúdo público.
O que o premium cobra de verdade
Três coisas aparecem em todas as ofertas fortes do degrau 4, em proporções diferentes:
Seleção. O The Lab exige receita mínima. Vários pedem aplicação. A seleção não é só exclusividade de marketing: ela garante que o grupo tem problemas parecidos, e isso é metade do valor de estar ali.
Tempo seu, com data. Encontros quinzenais, sessões de implementação, office hours. O premium vende agenda. E agenda é a única coisa que não escala, por isso custa caro.
Revisão do trabalho. O comprador mostra o que fez e alguém diz o que está errado. É o que nenhum curso entrega.
Se você toca um negócio de uma pessoa, essa é a parte que pede mais cuidado. O degrau 4 é o que mais paga e o que mais consome você. Cada vaga a mais é uma tarde a menos. A pergunta que eu faria antes de abrir é simples: quantas pessoas eu consigo acompanhar bem ao mesmo tempo sem deixar o resto do negócio parado?
O galho do lado: ferramenta com mensalidade
Três ofertas da amostra não cabiam na escada, e vale entender por quê.
- PostWave, plano Basic: R$47 por mês para 10 carrosséis, 15 roteiros e uma persona.
- Creator Carousel: pacotes de crédito de US$14,97, US$24,97 e US$49,97, para 5, 10 e 25 carrosséis, sem vencimento anunciado.
- O aplicativo do Creator Hooks: planos de US$19, US$49 e US$99 por mês. A tabela é pública; o checkout não abriu na minha consulta.
Ferramenta é outro negócio. Ela concorre com o tempo de execução, não com informação, e tem um custo que PDF não tem: servidor, suporte, conta de IA, bug às três da manhã. Para uma pessoa sozinha, montar uma ferramenta é montar uma segunda empresa.
Eu não colocaria ferramenta na escada de quem está começando. Colocaria, no máximo, como recomendação: "eu uso isto para fazer o que o kit ensina".
O que fica fora da página: as ofertas sem preço
Cinco ofertas da amostra não mostravam preço em lugar nenhum que eu tenha conseguido acessar. Além da Agência Massa e do Pro Group, o Stories10x, do Leandro Ladeira, o O Superpoder, do Paulo Cuenca, e o Ship 30 for 30, do Dickie Bush e do Nicolas Cole, que anunciava turma de 5 de outubro a 9 de novembro.
Isso não é defeito. É uma escolha de arquitetura: o preço aparece numa conversa, num diagnóstico, numa abertura de turma. Funciona quando a pessoa já chega aquecida, e quase sempre vem acompanhada de uma audiência grande o suficiente para encher a turma.
Para quem está começando, eu faria o contrário. Preço à vista, com contexto (o que inclui, por quanto tempo, como cobra). Quem ainda não tem audiência grande não pode se dar ao luxo de fazer a pessoa perguntar.
Cinco padrões que eu tirei da leitura
Agora é a minha leitura, não a tabela. Separei porque são coisas diferentes: a tabela é fato observado num dia; isto aqui é a interpretação de alguém que vai usar a tabela para decidir.
1. Cada degrau aponta para o próximo
As escadas que mais me convenceram tinham ligação explícita entre os degraus. A newsletter grátis do Creator Hooks alimenta o aplicativo pago. O kit do Hook Vault aparece em pacote com o prompt pack. O sistema do Justin Welsh fica na mesma loja que o resto dos cursos dele.
Degrau solto é produto órfão. Antes de criar qualquer coisa, eu me pergunto: de qual degrau a pessoa vem, e para qual ela vai depois?
2. O degrau de baixo prova o de cima
Ninguém compra um sistema de alguém cujo material grátis não funcionou. Ninguém aplica para um premium de quem nunca mostrou o processo. A escada funciona de baixo para cima: cada degrau é a prova do próximo.
Por isso começar pelo topo quase nunca dá certo. Mentoria sem material público é pedir para a pessoa confiar no escuro.
3. A promessa fica mais estreita conforme o preço desce
O kit promete pouco e entrega exatamente aquilo. O premium promete mais e cobra para acompanhar. Quando um kit de R$47 promete "transformar seu negócio", a promessa está no degrau errado, e o comprador sente.
4. Limite declarado vende
"Sem suporte individual." "Créditos não equivalem a IA ilimitada." "Exige receita mínima." As páginas que diziam o que o produto não faz me pareceram mais confiáveis que as que prometiam tudo. Admitir o limite é o atalho mais barato para a credibilidade.
5. Preço com contexto, sempre
Metade dos asteriscos da minha tabela vinha de preço sem contexto: promoção sem data, catálogo e landing divergentes, assinatura que parece vitalício. Quem compra de uma pessoa sozinha está comprando a palavra dela. Preço confuso gasta essa palavra antes da venda.
Os quatro erros que a escada evita
Se eu tivesse que resumir em erros, para quem está montando agora:
| Erro | Como aparece | O que fazer no lugar |
|---|---|---|
| Começar pelo topo | Mentoria cara sem material público que prove o método | Publique o degrau 1 primeiro e deixe ele trabalhar |
| Cinco kits no mesmo degrau | Vários produtos baratos que resolvem dores parecidas | Um kit por dor; os outros viram complemento ou pacote |
| Degrau sem saída | Material que termina sem dizer o que vem depois | Toda entrega aponta para um próximo passo nomeado |
| Preço copiado | "Fulano cobra US$200, então eu cobro R$1.000" | Compare escopo, duração e suporte antes do número |
O que eu fiz com isso
Vale contar, porque a escada saiu da teoria aqui mesmo.
No madureira.xyz, o degrau 1 são os estudos abertos, como este, e os materiais grátis em PDF: as bíblias de cada formato, o checklist, os guias. O degrau 2 e o degrau 3 são os materiais pagos, que estão marcados como "em breve" enquanto escrevo, sem preço, com um botão para avisar quando abrirem. O degrau 4 é a mentoria, para quem quer o trabalho aplicado no próprio perfil.
Nenhum desses degraus nasceu do zero. Todos saíram do que eu já faço na agência: os padrões de escrita, as medições, os modelos que uso com clientes. É a vantagem que uma empresa de uma pessoa tem e que quase sempre desperdiça: o acervo do trabalho real já é o estoque da loja. Só falta organizar em degraus.
Exercício: desenhe a sua escada
Separe vinte minutos e uma folha. O objetivo é saber quais degraus faltam e qual vem primeiro, mesmo que nenhum esteja pronto.
Passo 1. Liste o que você já faz toda semana
Antes de pensar em produto, escreva cinco tarefas que você faz no seu trabalho (para você ou para cliente) e que alguém do seu público faz pior ou mais devagar. Exemplo: escrever a capa de um carrossel, organizar o mês de pauta, revisar uma proposta.
Passo 2. Encaixe cada tarefa num degrau
Para cada tarefa, pergunte:
- Dá para entregar como amostra grátis, um caso resolvido com o seu método? Degrau 1.
- Dá para entregar como uma coisa que a pessoa usa hoje, um arquivo, uma biblioteca, um modelo? Degrau 2.
- Dá para entregar como um processo que ela repete sem você? Degrau 3.
- Só funciona com você olhando o caso dela? Degrau 4.
Passo 3. Preencha a escada
| Degrau | A dor | A entrega | O formato | O próximo passo | Já existe? |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Grátis | |||||
| 2. Kit | |||||
| 3. Sistema | |||||
| 4. Premium |
Regras para preencher:
- A dor é uma frase que o seu público falaria, não um conceito. "Não sei o que postar segunda" e não "falta de planejamento estratégico".
- A entrega é um objeto. Arquivo, folha, aula de uma tarde, encontro quinzenal. Se você não consegue desenhar a entrega, ela ainda não existe.
- O próximo passo aponta para o degrau de cima, com nome.
Passo 4. Escolha um degrau só
Olhe a coluna "já existe?". O primeiro degrau, de baixo para cima, que estiver vazio é o que você constrói agora. Não o mais lucrativo e não o mais divertido. O primeiro vazio.
Passo 5. Pesquise o preço olhando escopo
Quando chegar a hora de pôr preço num degrau pago, abra cinco ofertas parecidas e anote, para cada uma, o que inclui, por quanto tempo, como cobra e qual a ressalva. A data também. Você vai notar o mesmo que eu notei: a maior parte dos preços tem asterisco, e o asterisco diz mais que o número.
Para continuar
Se o seu degrau 1 já existe e o próximo passo é fazer o perfil trabalhar como vitrine dele, o Kit de Bio e Destaques mostra a ordem em que eu arrumo o topo do perfil. E se você quer desenhar a escada com alguém olhando o seu caso, é para isso que existe a mentoria.
Fontes
Todas as ofertas foram consultadas em 14/10/2026 nas páginas oficiais linkadas ao longo do texto. Os preços estão na moeda original, como apareciam naquele dia, com a ressalva de cada um (promoção, divergência entre páginas, checkout não confirmado). A amostra é intencional: 40 ofertas, 28 criadores, autores ou marcas, escolhidos por afinidade com o meu trabalho. Não é uma pesquisa estatística de mercado e não deve ser usada para tirar média.
Nenhuma oferta aqui foi avaliada como boa ou ruim. O estudo descreve como cada uma se apresenta, não a qualidade do que entrega.